No ano passado eu já havia postado um texto sobre preparação física no blog da Expedição Cordilheira Branca 2009 (http://www.expecordilheirabranca.blogspot.com/). Naquela época o nosso trabalho aeróbico estava concentrado em treinos de bike indoor e corrida na esteira. Este ano eu acabei modificando o meu programa de treinamento físico, colocando mais um treino aeróbico.
Como em fevereiro eu me mudei para um apartamento em um prédio de 12 andares, eu começei a fazer treinos subindo as escadas do prédio. Nestes treinos, para não forçar os joelhos eu desço pelo elevador. Isso também me permite recuperar o fôlego antes de subir novamente as escadas.
No começo eu procurei adequar o ritmo da subida para não passar do limite de 90 % da frequencia cardíaca máxima estimada - FCME (no meu caso cerca de 160 bpm). Hoje estou subindo em 2'30" chegando no final perto do limite. Faço a descida pelo elevador e espero completar 5' para iniciar outra subida. Com esse intervalo de descanso de 2'30" a frequencia cardíaca desce para 60% da FCME. Dividindo o tempo dessa maneira eu consigo fazer 10 subidas em 50' ou 12 subidas em 1 hora de treino.
Esse treino tem várias vantagens: garante um trabalho aeróbico intenso, mas com períodos de recuperação; prepara a musculatura das pernas para trilhas íngrimes e escaladas; e não precisa ir até a academia (rsrs).
Os próximos passos consistem em fazer esse treino carregando uma mochila. Claro que não vou começar pela cargueira carregada até a tampa. Vou começar com uns 6 kg de carga e vou aumentando de 2 em 2 kg, até chegar em 20 kg. Uma maneira prática de fazer isso é usar garrafas PET cheias de água.
Finalizando, gostaria de esclarecer como eu determino a minha FCME. Eu não uso aquela regra de 220 menos a idade, pois acho que ela dá um resultado subestimado para indivíduos treinados. Eu uso uma outra fórmula com uma correção para o nível de treinamento. A diferença entre as duas fórmulas, no meu caso, foi de 11 bpm. E na prática eu percebo que o valor corrigido é bem mais realista, ou seja, quando eu chego em 100% da FCME eu estou realmente no limiar anaeróbico. Maiores detalhas sobre as diversas formulás podem ser encontrados no blog do Davi http://www.blog.marski.org/?p=1109
Espero que essa dica de treinamento seja útil para aqueles que desejam melhorar a sua capacidade física, principalmente a resistência, para atividades de caminhada e escalada. Bons treinos!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Conquista de uma via em Andradas
A pedra do Elefante em Andradas/MG é um dos meus locais preferidos de escalada. Ela proporciona vias longas, de cerca de 200 m (algumas com até 350 m!), de todos os níveis, tanto com proteções fixas quanto com proteções móveis. Existem basicamente três setores: a tromba (onde estão as vias mais longas), a cabeça (quase todas as vias são com proteções fixas) e o corpo (a maioria das vias são em móvel). Maiores informações sobre as vias podem ser encontradas no site do Abrigo do Pântano (http://www.abrigopantano.com/). Aliás o abrigo é um ótimo lugar para ficar quando voce estiver escalando na região de Andradas.
No ano passado, depois de escalar uma via nova na cabeça do elefante, chamada de Cumulus, eu começei a visualizar uma nova linha de escalada, do lado direito dessa via. Um dia eu comentei com o Pedro Zeneti, mais conhecido como Jacaré (dono do Abrigo do Pântano), sobre a minha intenção de conquistar uma via entre a Cumulus e a Era do gelo. Ele gostou da idéia e disse que já tinha pensado naquela linha também.
Foi apenas no final de janeiro que surgiu uma oportunidade de iniciar a conquista. Eu estava em férias e o Daniel (um colega da Unicamp) me disse que teria uma semana livre para escalar. Separei o material de conquista e fomos para Andradas com a intenção de passar 5 dias lá.
O primeiro dia foi bem proveitoso, começamos a conquista de baixo e já passamos o crux da via. Se não fosse o mau tempo no final da tarde teriamos concluido a primeira enfiada. Devido à chuva que caiu durante a noite, no dia seguinte a pedra estava molhada. Para não perder a viagem, escalamos a via Cumulus, mesmo com a primeira enfiada bem molhada, para fixar uma corda e descer para 'avaliar' a continuação da via. Como lá para cima a pedra estava seca, resolvemos bater a primeira parada e continuar a conquista. Porém, mais uma vez a chuva nos obrigou a terminar o trabalho mais cedo. Os dias seguintes foram chuvosos e o trabalho rendeu muito pouco.
Num fim de semana no começo de fevereiro eu voltei para o Efefante, desta vez na compania do Rafael. Subimos novamente pela Cumulus com o objetivo de teminar a segunda enfiada. Mas mais uma vez o tempo não ajudou e batemos apenas 2 proteções. Eu já estava pensando em colocar o nome da via como Era da Chuva, uma alusão à via ao lado.
No Carnaval eu voltei para Andradas disposto a concluir a via. Desta vez eu contava com um martelete emprestado pelo Davi e com a ajuda do Jacaré. No primeiro dia avançamos bastante a conquista, chegando na quarta parada. Num outro dia concluimos a via, chegando na penúltima parada da Nimbus. Resolvemos parar ali mesmo, pois a partir daquele ponto a Nimbus e a Era do Gelo se aproximam bastante uma da outra e ficaria dificil continuar entra as duas. O nosso plano era voltar no dia seguinte para duplicar as paradas e colocar algumas proteções intermediárias. Mas a chuva novamente interferiu nos nossos planos.
Na primeira oportunidade eu voltei para lá e, com a ajuda do Jacaré, terminamos o trabalho. Eu havia escalado todas as enfiadas e já tinha uma boa idéia da via. É uma via fácil, com alguns trechos de V, mas a maior parte fica entre IV e IV+. Só que tem poucas (em geral são 3)proteções entre as paradas, por isso é importante ter um bom 'psicológico' para não adrenar. Em função desse aspecto escolhemos o nome "Estica e Sobe".
Neste último feriado tive a oportunidade de entrar nessa via e conferir a graduação e as proteções. Realmente é uma via muito gostosa para se escalar. Quando parece que vai ficar dificil sempre aparecem algumas agarras. Mas nem sempre as agarras estão na linha reta entre as proteções e as vezes é difícil ver o próximo grampo. Por isso...estica e sobe!!
quarta-feira, 31 de março de 2010
Mudanças na equipe
Recentemente tivemos uma mudança na equipe desta expedição. A Carla está se recuperando de uma lesão no quadril (uma tendinite) e não está podendo seguir o nosso programa de treinamento físico. Considerando que o processo de recuperação é bastante demorado, ela achou melhor desistir de participar nesta expedição, já que dificilmente ela estará em plena forma física para encarar a escalada das três montanhas em julho.
O novo membro da equipe é o Antonio Andrigo, um montanhista com bastante experiência em escalada alpina e com um ótimo condicionamento físico. O Andrigo também esteve na Cordilheira Branca (Peru) no ano passado e participamos de várias escaladas juntos. Ele já fez uma tentativa de escalar o Mont Blanc (pela rota dos 3 cumes), tendo que desistir por causa do mau tempo.
A nova equipe já está bem organizada e concentrada nos preparativos finais para a expedição, afinal faltam apenas 3 meses. Estamos concluindo as parcerias necessárias para viabilizar esta expedição e em breve estaremos começando o trabalho de divulgação.
O novo membro da equipe é o Antonio Andrigo, um montanhista com bastante experiência em escalada alpina e com um ótimo condicionamento físico. O Andrigo também esteve na Cordilheira Branca (Peru) no ano passado e participamos de várias escaladas juntos. Ele já fez uma tentativa de escalar o Mont Blanc (pela rota dos 3 cumes), tendo que desistir por causa do mau tempo.
A nova equipe já está bem organizada e concentrada nos preparativos finais para a expedição, afinal faltam apenas 3 meses. Estamos concluindo as parcerias necessárias para viabilizar esta expedição e em breve estaremos começando o trabalho de divulgação.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Tour du Mont Blanc
Segundo a Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Tour_du_Mont_Blanc), o Tour du Mont Blanc (ou a volta do Mont Blanc) é uma das caminhadas de longa distância mais populares da Europa. Ela circunda o maciço do Mont Blanc, cobrindo uma distência de aproximadamente 170 km, com 10.000 m de desnível total, passando pela França, Itália e Suiça. Geralmente ela é percorrida no sentido anti-horário, partindo de Chamonix, em cerca de 10 dias. A trilha percorre sete vales ao redor do maciço do Mont Blanc: Montjoie, Vallée des Glaciers, Val Veni, Val Ferret (Itália), Val Ferret (Suiça) e Trient. Aliás existe um excelente livro sobre essa região (em françes): Le Mont Blanc aux sept vallées, de Frison-Roche. Nesse livro o autor (o mesmo de Premier de cordée) descreve os sete vales, como se ele estivesse percorrendo a trilha. O mapa abaixo ilustra o percurso.

Foi pesquisando algumas caminhadas de aclimatação na região do Mont Blanc que acabamos escolhendo um trecho do TMB para começar a nossa expedição. Como não teremos tempo suficiente para fazer toda a trilha, escolhemos um trecho mais montanhoso que começa em Les Contamines-Montjoie e termina em Courmayeur. Esse trecho passa por dois cols (passos) a mais de 2500 m de altitude, o que vai ajudar o início da aclimatação. Para não ter que descer até les Chapieux, vamos pegar uma variante do TMB que passa pelo Col des Fours. No primeiro dia pretendemos sair de Les Contamines e passar por Notre Dame de la Gorge, Chalet de Nant Borrant, Chalet de la balme e Col du Bonhomme, dormindo no Refuge du Bonhomme. No segundo dia passaremos pelo Col des Fours, Ville des Glaciers e Col de la Signe, dormindo no Refuge Elisabeta. No terceiro dia passaremos pelo Lac Combal e seguiremos até Courmayeur.
Outra vantagem do trajeto escolhido é que perto de Courmayeur (Le Palud) tem um teleférico que sobe até o Refuge Torino (3480 m), ainda no lado italiano do Mont Blanc. Uma noite neste refúgio vai melhorar ainda mais a aclimatação. De lá pretendemos fazer a travessia da Vallée Blanche (http://www.summitpost.org/route/167764/vall-e-blanche-traverse.html), chegando até o Refuge des Cosmiques (3613 m). Mais duas noites nesse refúgio serão suficientes para completar o processo de aclimatação.

Foi pesquisando algumas caminhadas de aclimatação na região do Mont Blanc que acabamos escolhendo um trecho do TMB para começar a nossa expedição. Como não teremos tempo suficiente para fazer toda a trilha, escolhemos um trecho mais montanhoso que começa em Les Contamines-Montjoie e termina em Courmayeur. Esse trecho passa por dois cols (passos) a mais de 2500 m de altitude, o que vai ajudar o início da aclimatação. Para não ter que descer até les Chapieux, vamos pegar uma variante do TMB que passa pelo Col des Fours. No primeiro dia pretendemos sair de Les Contamines e passar por Notre Dame de la Gorge, Chalet de Nant Borrant, Chalet de la balme e Col du Bonhomme, dormindo no Refuge du Bonhomme. No segundo dia passaremos pelo Col des Fours, Ville des Glaciers e Col de la Signe, dormindo no Refuge Elisabeta. No terceiro dia passaremos pelo Lac Combal e seguiremos até Courmayeur.
Outra vantagem do trajeto escolhido é que perto de Courmayeur (Le Palud) tem um teleférico que sobe até o Refuge Torino (3480 m), ainda no lado italiano do Mont Blanc. Uma noite neste refúgio vai melhorar ainda mais a aclimatação. De lá pretendemos fazer a travessia da Vallée Blanche (http://www.summitpost.org/route/167764/vall-e-blanche-traverse.html), chegando até o Refuge des Cosmiques (3613 m). Mais duas noites nesse refúgio serão suficientes para completar o processo de aclimatação.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Parceiros do projeto
Estamos começando uma fase muito importante na preparação da expedição, que é o estabelecimentos de parcerias com empresas dispostas a apoiar de alguma forma a realização desta expedição.
Da mesma forma que fizemos na Expedição Cordilheira Branca 2009, estamos buscando o apoio de alguns parceiros. Já concretizamos uma parceria com a Trilha do Esporte (http://loja.trilhadoesporte.com.br/). Em breve estaremos apresentando o nosso projeto para outras empresas.
A novidade é que desta vez estamos buscando também um patrocínio (para as passágens aéreas), provavelmente através de uma compania aérea ou de uma agência de viagens. O patrocinador terá um destaque especial na divulgação da expedição.
Da mesma forma que fizemos na Expedição Cordilheira Branca 2009, estamos buscando o apoio de alguns parceiros. Já concretizamos uma parceria com a Trilha do Esporte (http://loja.trilhadoesporte.com.br/). Em breve estaremos apresentando o nosso projeto para outras empresas.
A novidade é que desta vez estamos buscando também um patrocínio (para as passágens aéreas), provavelmente através de uma compania aérea ou de uma agência de viagens. O patrocinador terá um destaque especial na divulgação da expedição.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Objetivos da expedição
De uma forma bem resumida, o objetivo desta expedição é escalar 3 montanhas clássicas dos Alpes: Mont Blanc, Mattherhorn e Eiger. A escalada destas 3 montanhas forma a Trilogia dos Alpes. Porém, os nosso objetivos são bem mais amplos. Ao longo deste blog voltaremos a tratar do asusnto. Segue abaixo uma breve descrição da escalada destas montanhas.
A primeira delas, o Mont Blanc, foi o berço do alpinismo, sendo também o ponto mais alto da europa ocidental (4808 m). Foi o palco de conquistas memoráveis e até hoje atrai alpinistas de todo o mundo. O ponto de partida é a famosa cidade francesa de Chamonix. Existem várias rotas relativamente fáceis para chegar ao cume do Mont Blanc, sendo que as mais frequentadas são do Dome du Gouter e dos Trois Monts. Esta última parte do Refuge des Cosmiques (acessível a partir do teleférico da Aiguille do Midi) e passa pelo Mont Blanc de Tacul e pelo Mont Maudit. Toda a rota (PD+) é de escalada no gelo com rampas de até 50 graus.
Tanto o Matterhorn (4478 m) quanto o Eiger (3970 m) ficaram famosos pela dificuldade na escalada pelas suas faces norte, consideradas durante muito tempo como sendo as faces mais difíceis dos Alpes. Mesmo as rotas mais fáceis destas montanhas são de dificuldade média. O ponto de partida do Matterhorn é a cidade suiça de Zermatt. A rota mais procurada é a Hornligrat (AD-, UIAA III-), uma rota de escalada mista que parte do Hornli Hut e percorre a aresta NE. No caso do Eiger, o ponto de partida é a cidade suiça de Grindelwald. A rota clássica Mittellegi (D, IV) parte do Mittelegi Hut e percorre a aresta NE, sendo também uma escalada mista bastante comprometida.
A primeira delas, o Mont Blanc, foi o berço do alpinismo, sendo também o ponto mais alto da europa ocidental (4808 m). Foi o palco de conquistas memoráveis e até hoje atrai alpinistas de todo o mundo. O ponto de partida é a famosa cidade francesa de Chamonix. Existem várias rotas relativamente fáceis para chegar ao cume do Mont Blanc, sendo que as mais frequentadas são do Dome du Gouter e dos Trois Monts. Esta última parte do Refuge des Cosmiques (acessível a partir do teleférico da Aiguille do Midi) e passa pelo Mont Blanc de Tacul e pelo Mont Maudit. Toda a rota (PD+) é de escalada no gelo com rampas de até 50 graus.
Tanto o Matterhorn (4478 m) quanto o Eiger (3970 m) ficaram famosos pela dificuldade na escalada pelas suas faces norte, consideradas durante muito tempo como sendo as faces mais difíceis dos Alpes. Mesmo as rotas mais fáceis destas montanhas são de dificuldade média. O ponto de partida do Matterhorn é a cidade suiça de Zermatt. A rota mais procurada é a Hornligrat (AD-, UIAA III-), uma rota de escalada mista que parte do Hornli Hut e percorre a aresta NE. No caso do Eiger, o ponto de partida é a cidade suiça de Grindelwald. A rota clássica Mittellegi (D, IV) parte do Mittelegi Hut e percorre a aresta NE, sendo também uma escalada mista bastante comprometida.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Começa aqui o blog da nossa expedição
Bem vindos ao blog da Expedição Trilogia dos Alpes 2010.
Aqui voces encontrarão várias informações sobre a expedição, tais como objetivos, cronograma, equipe, preparação, material, etc.
Ao longo da expedição estaremos enviando regularmente notícias, fotos e videos.
Namaste!
Aqui voces encontrarão várias informações sobre a expedição, tais como objetivos, cronograma, equipe, preparação, material, etc.
Ao longo da expedição estaremos enviando regularmente notícias, fotos e videos.
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